Fim do terceiro turno da Ford é prenúncio de que Camaçari precisa se reinventar

A empresa que chegou a comemorar record de produção agora anuncia encerramento do terceiro turno alegando queda nas vendas do mercado automobilístico.

A empresa que chegou a comemorar recorde de produção agora anuncia encerramento do terceiro turno alegando queda nas vendas do mercado automobilístico.

A diretoria da Ford confirmou que em março de 2016 encerrará as atividades do terceiro turno, o que atingirá consequentemente todas as empresas sistêmicas do Complexo Ford. Tal medida pode acarretar na demissão de quase 2 mil dos 4.712 trabalhadores da montadora. De forma generalizada, tomando por baixo uma média salarial em R$ 2,5 mil, deixará de circular em Camaçari e região cerca de R$ 5 milhões por mês. Isso sem falar em 13° e PL.

Para evitar tal catástrofe, a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos estudam como lidar com excedente de força de trabalho. A montadora não informou se irá aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE).

A decisão da montadora, que busca justificativa na desaceleração do mercado automotivo, é o prenúncio de que dias piores podem estar por vir. Com a queda na produção, cai diretamente a arrecadação municipal, diminuindo os recursos para os serviços públicos. Com tantos desempregados, e com o mercado de trabalho sem vagas para atender essa demanda de mão-de-obra, aumentará as taxas de inadimplência e consequentemente haverá uma queda nas vendas do comércio de produtos e serviço em geral.

Aproveitando esse fato envolvendo a Ford, gostaria de chamar a atenção para um cenário mais tenebroso. Com a continuidade da crise a mesma pode atingir outras empresas do Polo Industrial. Há quem diga que a Braskem pode ser a próxima a adotar medidas semelhantes. E se isso acontecer, o que será de Camaçari que vive praticamente às custas da receita gerada pelo setor industrial?

É chegado o momento dos governantes e empreendedores pensarem Camaçari além das máquinas e robores do Complexo Petroquímico e Automotivo, criar novas formas de geração de emprego e renda através da indústria do turismo, dos serviços, da agricultura, pecuária, piscicultura e tantas outras formas que Camaçari possui potencial, porém não é explorado.

Está mais do que na hora de colocar em prática o ditado “é na crise que nos reinventamos”. Camaçari precisa se reinventar. E isso só é possível através da convergência de esforços e ações do setor público com o privado.

Temos uma orla pulsante onde poderiam ser exploradas diversas formas de turismo, desde o náutico com a pesca esportiva ou mergulhos de observação à prática de esportes como o surf e tantos outros. Uma área rural imensa onde o turismo rural poderia ser desenvolvido. Uma geografia propícia para diversos esportes radiais motorizados ou não. Um clima perfeito para atração de turistas durante todo o ano. Então o que falta para sermos uma potência turística no país? Esse é apenas um dos exemplos, e bem superficial, de tantas outras formas de geração de emprego, renda e receita para os cofres públicos que poderiam ser desenvolvidas em Camaçari.

Espero que, no lugar de ficar chorando o leite derramado ou tentar tapar o sol com a peneira, nossos governantes criem mecanismos e a infraestrutura necessária para exploração do real potencial econômico de Camaçari, senão dias piores podem estar por vir. Nessa, ou em outras crises futuras.

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