“Executiva de si mesma” a mulher continua lutando por seu espaço

A cada dia que passa as mulheres têm ocupado seu espaço à frente dos negócios.

A cada dia que passa as mulheres têm ocupado seu espaço à frente dos negócios.

Cuidar da casa, dar atenção aos filhos, dedicar-se ao marido, investir em uma carreira de sucesso, manter-se bonita e atraente… Essas são algumas tarefas que compõem a rotina da mulher no século XXI. Sem perder o romantismo e a feminilidade, elas provam a cada dia que são capazes de ir além.

“Deixamos de ser submissas. Hoje, a menina aprende que trabalhar e estudar são atividades indistintas a sexo, gênero ou cor. Acordar cedo e muitas vezes só chegar à noite, passando mais tempo fora do que dentro de casa deixou de ser exclusividade masculina. Eu mesma vou para a faculdade pela manhã, à tarde para o estágio e só chego em casa no período da noite”, elucida a estudante de nutrição Luciana Santana, 19.

Contudo, o sentimento de gratidão às conquistas já alcançadas é alimentado, também, por outra força: a persistência.  Ao longo dos anos o rompimento de padrões épicos e elitizados e a quebra de diversos tabus ainda é pouco para essas “executivas de si mesma” – elas querem mais, afinal, “falta-se muito para conquistar a verdadeira liberdade de gênero”, como afirma a técnica em radiologia, Alessandra Nascimento, 28.

“Mudamos nosso posicionamento na sociedade e passamos a desempenhar um novo papel mais presente e ativo, porém, ainda há muito a se fazer. Embora tenhamos conquistado nosso espaço, principalmente, no mercado de trabalho, ainda lutamos por respeito, reconhecimento e equiparação salarial, só isso aí já pode ser considerado um absurdo e a prova de que nossa evolução não pode ser esquecida ou dada como completa”, destaca Alessandra.

Compartilhando do mesmo pensamento a advogada Vânia Ferreira, 30, cita um exemplo de desvalorização profissional do gênero feminino vivenciado comumente em seu escritório. “Divido o escritório com meu irmão, que também é advogado, já tivemos casos em que o cliente se recusou a prosseguir com o atendimento caso fosse eu a responsável por sua defesa. Exigiu que sua situação fosse acompanhada por alguém que transmitisse mais ‘força’ e agilidade”, relata.

Outro exemplo de machismo – listado pela maioria das entrevistadas-, e que precisa ser vencido com urgência encontra-se no trânsito. Quantas mulheres ao passarem pelas ruas com seu carro já não ouviram o famoso clichê: “mulher no volante perigo constante?”

Foi o caso de Camila Figueiredo,26, que quase desistiu de tirar a  tão sonhada Carteira de Habilitação por conta de comentários desse tipo. “Eu quase desiste de um dos meus maiores sonhos por conta de atitudes totalmente sem fundamento, e o que é pior, muitas vezes vindas de pessoas próximas a mim”, diz.

Todavia, um dos motivos que proporcionou que Camila não desistisse desse e de outros sonhos foi o acesso a história de outras mulheres, por isso, ela frisa a importância de comemorar o dia da mulher não só uma vez por ano, mas sempre.

“O dia 08 de março é um dia simbólico, assim como outras datas. Temos que comemorar nossas vitórias todos os dias, elas nos impulsionam nos momentos que precisamos de coragem abrindo nossos olhos para a realidade de alerta que ainda vivemos, nos incentiva a  fugir do comodismo e admitir que precisamos continuar lutando por nossos direitos”, conclui.

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